Ao luar, tão belo de Janeiro, amarelo avermelhado, escondido por detrás das serras portuguesas, refugiei-me novamente. Ausentei-me nos carvalhos, lagos, núvens...nas cores do crepúsculo invernal, surgido precocemente. Quando fiquei completamente só, perdida na ausência, procurei-te...chamei por ti, mas não ouviste. Deslisei, encostada ao muro, até sentar-me, dobrando os joelhos, escondendo a minha face como Lua a sua. Fechei os olhos continuando a procurar-te...fui buscar-te à memória, só ela guardou a tua imagem perfeita. Vi-a, observei-a atentamente...gritei. Gritei até as aves me calarem, até os carvalhos se fartarem, até os lagos secarem e as serras acordarem tornando-se homens. Em cada um deles vi um fragmento teu, tentei ligá-los todos e formei-te. A perfeição do teu sorriso, a sedução do teu olhar, a sensualidade do teu corpo...tudo isso criei. Chorei...foi tão sinceramente, que a terra não se importou que a regasse. E cada lágrima caída sobre a terra tornava-se numa rosa negra espigada. Colhi uma delas e cheirei...a frescura e a tristeza surgiram todas dela. Pureza do perfume despertou o sentimento. Sorri...com vontade de gritar, mas desta vez o teu nome, dizendo que te amo profundamente. Apenas suspirei, sussurando as iniciais do teu nome...e do suspiro apareceste tu, no primeiro raio de Sol daquele dia.
Dedicado a: F.E.D.M.

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